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Autoria: Galahad

Desde tempos imemoriais, as civilizações acreditam, temem e amam o sobrenatural. Deste modo, com o passar das eras, foram sendo criados os shamans, benzedeiros, magos, bruxos, alquimistas, etc. Essas pessoas, com o passar do tempo, se tornaram uma elite de pensadores ou de pessoas que eram ditas conhecedoras de alguns segredos da vida e que poderiam, através da sabedoria dos tempos e das eras, ajudar a outros ou destruir famílias e a felicidade.

Muitos exemplos são encontrados nas mais diversas culturas e até mesmo exemplos antagônicos, como o caso de São Cipriano, que de bruxo seguidor de satanás (supostamente), se tornou um bruxo seguidor do Deus Cristão (novamente, supostamente) o que acabou por torná-lo santo.

Mas casos como este nos levam a uma questão simples: como uma pessoa da Arte sabe se o que está fazendo é correto? Este pequeno artigo fala sobre isso, ética e atitude mágica.


O que é ética e atitude mágica?

A ética nos fala de um código estrito que é seguido por determinada classe (ou pessoas) e que rege um comportamento ou forma de se comportar, sendo na realidade regras escritas de um como agir em várias situações.

A atitude nos fala sobre decisões que precisam ser tomadas e que devem, acima de tudo, levar em consideração o que desejamos/pensamos, e como lidamos com isso em relação à suposta ética que possuímos.

Definições dadas, passamos a aplicação prática delas na conduta mágica. Na realidade, a conduta mágica não se trata de um ponto luminoso inalcansável para os meros mortais. A conduta em si trata do mesmo estilo de conduta que precisamos, enquanto cidadãos, ter para com a sociedade e para conosco em um sincronismo com o que nos resta, que no caso mágico, cobre também a área de percepção do invisível e das forças naturais.


A vida cotidiana

Obs.: Note que o "ck" será empregado apenas para satisfazer o que alguns contam como "grafia correta", que diferenciaria a verdadeira mágic(k)a da magia circense. Para os desavisados e desentendidos, NÃO, este não e um artigo sobre magia circense e NÃO, neste artigo não falaremos de coelhos em cartolas. Explicado isso, volto a usar a palavra mágica no sentido esotérico do termo, e que me perdoem os puritanos.

Com o modismo da Wicca e o neo-paganismo de uma forma geral, muitos iniciantes ou mesmo algumas pessoas já possuidoras de certa experiência no campo mágicko acabam por se perguntar sobre o que seria correto ou incorreto na utilização de seus dons e aprendizados.

Perguntas como:

- Posso usar minha magia para atrair alguém?
- Posso usar magia do Amor?
- E se eu quiser me vingar?

São frenqüentes e elas têm um fundamento por existir. Na realidade, bem e mal são conceitos inexistentes na magia e a experiência no campo mágico trás consigo a carga, e para alguns a dor, de aprender que nem sempre fazer o bem, ou o que parece socialmente correto, é o melhor caminho para chegar a um ponto final ou a um ponto desejado.

Mas conforme se diz na Wicca: "se a ninguém nenhum mal fizer, faça como quiser", mas o que vem a ser "mal"? Seria fazer alguém sofrer? Seria machucar os sentimentos alheios?

Os Thelemitas já pensam que "faça o que quiseres e tudo será amor, faça o amor, o amor é a lei", num quê de suposta "bondade justificadora". Mas tanto na Thelema quanto na Wicca isso é ética, e toda tradiçao, por independente que seja, trás consigo sua ética, que é repassada aos iniciandos e iniciados, que, normalmente, adotam-na como forma de pensamento diferencial, e de certa forma maquineísta, servindo assim como parâmetro para julgamento sobre a situação/condição atual e dando um comparativo para que as decisões sejam tomadas.

Obviamente, para as perguntas citadas anteriormente, os dois casos exemplificados, a saber Wicca e Thelema, teriam respostas diferentes, com justificativas diferentes. Não se fala de Dogmas aqui, mas de um certo consenso adquirido através do tempo e prática e que, via de regra, é seguido pelos praticantes destas tradições.

Não é o escopo deste artigo fazer um paralelo entre a Thelema e a Wicca. Poderíamos citar sem problemas outras tradições como a Bruxaria Tradicional, o Hermetismo, a Kaballa, a Magia Cerimonial, mas não é o foco deste artigo também.

Voltando. Sendo nosso desejo a fonte de nossa magia, pois em uma de suas definições mais célebres, a magia nada mais é que "a ação da vontade sobre a realidade", e tendo a vontade uma característica ímpar para cada pessoa, chegamos ao ponto da Atitude mágica. O que fazer quando nosso desejo se torna contraditório à ética que adquirimos? Fazemos o que desejamos? Não seria isso anárquico ao ponto de não necessitarmos de ética? Pois se fazemos o que desejamos tão somente seguimos o código de ética que inventamos e não precisamos de padrões pré-prontos sobre "certos e errados".

Todavia, e se fizermos o que nos diz a ética? Estaria isso correto? Não seríamos escravos de um consenso pré-adquirido e ditado por outras pessoas e que poderia não refletir exatamente o que desejamos? Pronto, nos deparamos mais uma vez com o ponto de Desejo X Aprendizado, e agora chegamos ao ponto culminante do artigo.

Dosagem, essa é a resposta. Não existe ética perfeita e agir somente pela atitude nos tornaria ainda mais egoístas e egocêntricos do que já somos. Se as éticas existem, elas existem por algum motivo, mas isso não nos torna escravos delas. Precisamos manter nosso pensamento ativo para que, com o desenvolvimento mágico/espiritual, possamos adquirir a consciência pretendida, e não precisarmos assim de arquétipos humanos. O balanço das situações nos mostrará a que cada situação deverá se subordinar, ou à nossa ética, ou à nossa atitude, isso falando do estrito momento em que ambas divergem.


Conclusão

Este artigo tratou de uma forma de pensamento sobre a possibilidade de elucidação frente a necessidade de agir nos momentos da vida e que cotidianamente acaba por nos interferir.

Este artigo não tem a pretensão de ser um ponto final na discussão entre o que devemos/não devemos fazer frente às adversidades da vida e no que nos baseamos para tomar nossas decisões. Usar o jargão "sua consciência será seu juiz" não traria bem nenhum a nossa discussão, mas invariavelmente será o padrão utilizado por várias pessoas. Sendo assim, sinta-se livre se este for o seu caso.

Este artigo poderá ser copiado e distribuido livremente desde que a fonte seja citada e que quaisquer alterações sejam enviadas ao autor.

Escrito especialmente para o site Círculo Sagrado.

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