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Círculo Sagrado
© 2001 - 2003
Termos Legais
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Autoria: Galahad
Ele caminhava pela noite... procurando o que poderia fazer...
O mundo rodava à sua volta e ele não tinha mais certeza do que poderia fazer ou ser. Ele era só tristeza.
Pé após pé ele andava, ora chutando alguns pedaços de papéis que resvoavam próximo a ele, ora chutando pequenas pedrinhas, deixando apenas que sua mente se libertasse de todas as imagens que, uma após outra, incessantemente lhe perturbavam.
Um pássaro voava ao seu lado, parecia uma pequena pomba branca, mas a visão lhe era turva e ele não tinha certeza da cor e tampouco do animal... não seria aquilo uma lebre?
Pequenos pedaços de diamantes rolavam-lhe face abaixo, e ao extender sua mão na leda esperança de salvar, qualquer pequena parte que fosse, os diamantes se desfacelavam em milhares de pedaços ainda menores. No final, seus diamantes não passavam de vidros... cacos que voavam para todos os lados, como se quisessem cortar a tudo e a todos, sendo que já vinham de sua origem banhados de sangue... não são tão belos os rubis?
O rubro de seu diamante vitrificado esvaeceu ao passar ao lado de um guerreiro majestoso. Alto, usava uma armadura escura e maciça, nada se podia ver em seu interior. Ainda externamente, exibia uma couraça verde por sobre os ombros e parecia ter mais de mil braços. Notável sim, sem sombra de dúvidas.
E de costas andando ainda vislumbrando o vulto do guerreiro que em sua forma permanecia, ele tropeçou e caiu frente a uma bela donzela... não era muito alta, mas tinha a pele de um branco incomum, e uma força tão grande que mesmo que todos os ventos e homens do mundo tentassem lhe retirar de seu local, ela apenas sorriria. Fez uma profunda reverência, pensou tocar-lhe a mão, ato contínuo sentiu o frio que ela lhe conduzia, ainda sorrindo. Seria este frio seu coração, a pele da donzela ou a Rainha Morte lhe chamando... Teve medo, saiu em disparada.
Correndo como um louco, tropeçando e levantando, olhou para o céu e viu milhares de vagalumes a lhe perseguirem, vagalumes estes que mais pareciam salamandras aladas passando por sobre sua cabeça na tentativa desesperada de lhe dar luz e talvez um pouco de calor.
Ele gritou, colocou suas mãos nos cabelos e quis puxá-los como se fossem arrancar assim o seu espírito e fazer dessa existência apenas mais uma passagem e esquecer de uma vez a vida insólita que levava.
Lembrou-se de seus amigos, de sua familía, de sua amada. Lembrou-se, enfim, de si mesmo e continuou andando.
Buscava na memória momentos que lhe trouxessem inspiração ou que lhe transformassem de volta no que já fora um dia. "As pessoas mudam", era o que aquela boa e velha amiga lhe havia dito. Tanto tempo... e agora isso dói tanto... tanto...
Sorriu por entre uma cascata de diamantes, novamente fez uma reverência... não havia ninguem na sua frente... mas ele sorriu uma vez mais... e continuou andando...
Chegou ao alto do que parecia o fim do mundo. Lá embaixo ouviu a forte voz de Poseidon e pensou que o Deus lhe estive chamando, intimando a terem uma conversa mais próxima. Conversa de homens talvez.
Pensou seriamente em aceitar o convite, mas quando de sua respiração forte e de seu jogar de cabeça para tras, pôde ver o rosto de Afrodite, e viu a beleza suprema que a tantos homens fez enlouquecer.
Ele se sentou como podia e Afrodite lhe parecia tão perto que poderia tocá-la. Ela lhe confessou seus muitos nomes, e como amantes ficaram conversando e confidenciando durante todo o reinado dela, que também cuidava da noite eterna.
Ao fim de tudo ela lhe deu um beijo suave e lhe disse que tinha um grande amigo para lhe apresentar. Ele pensou em Poseidon e temeu novamente, pois não queria agora ter de acertar contas com ninguém depois de uma noite tão agradável.
Lembrou-se de seus diamantes e sofregamente os procurou no chão. Tinham-se ido e ele nem de riquezas, nem de forças conseguiu olhar a para cima...
Ele ouviu um adeus, num misto de alegria e pena... e se sentiu o ser mais miserável do planeta, quando um grande homem loiro lhe deu um pequeno tapa nas costas.
Ele se virou de uma vez e viu o homem sorrindo, numa alegria jovial e infindável e quando ia perguntar alguma coisa, o jovem se lançou e ascendeu como um anjo aos céus e de lá irradiou sua luz.
Ele agora entendia que precisava continuar, mesmo não sendo fácil, mas ainda queria a presença dela, aquela que havia passado a noite com ele, ao seu lado, quando uma brisa suave passou pelo seu rosto e olhando ao redor ele sorriu e voltou para sua casa.
Ele estava em todo lugar... ao seu redor...
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