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Autoria: Galahad

É muito comum no meio pagão/esotérico/oriental falarmos em mestres, guias, gurus e professores. Colocamo-los como fontes de inesgotável conhecimento e sabedoria, que aparecem sempre no momento de adversidade para sanar a dúvida insaciável que nos corrói a alma.

"Quando o discípulo está pronto, o mestre aparece". Essa é a máxima conhecida por muitos no nosso meio, máxima que nem sempre corresponde a realidade e que acaba por gerar as frustrações que já levaram tantos a abandonar os Caminhos Antigos.

Recentemente li em uma lista de discussão uma análise sobre o conceito de mestre feito por Frater Horus Episkopos e em sua análise ele foi muito feliz ao dizer que "a pessoa acorda e percebe que simplesmente não existe mestre algum esperando por ele", pelo fato que, como aponta o Frater, "Um verdadeiro mestre só pode ser encontrado dentro de cada um de nós mesmos". Explico: A ideologia de Mestre x Discípulo está incrustada em nosso subconsciente desde que começamos a aprender e temos a certeza que o ensinamento seria mais rápido ou fácil se tivéssemos um mentor, um guia. Verdade ou não, em alguns pontos não podemos contar com muitos mestres e temos de fazer-nos mestres próprios e mestre não é senão quem ensina e quem aprende, sendo, pois, o mestre, também um discípulo.

Obviamente, pessoas dedicadas a anos de estudo irão saber muito em teoria da mesma forma que grandes magistas aprenderam muito pela prática e apreenderam que sempre necessitarão aprender mais. Assim sendo, os mestres não o são a não ser em questão de admitir o seu desconhecimento de maestria e sua busca contínua do aperfeiçoamento. Nisso são dignos de sua alcunha.

Muitos tem clamado por títulos e reconhecimento devido a não sei quantos anos de prática e experiência, outros tantos clamam o reconhecimento em face de terem passado por inúmeras iniciações em inúmeras ordens. Ora, é de se estranhar que alguém de tamanha capacidade e conhecimento não tenha obtido ainda uma das características primárias e básicas de qualquer mestre, a saber, a humildade.

Um mestre não necessita mostrar que é um "mestre" pelo simples fato de reconhecer que não necessita mostrar nada a ninguém. Outrossim, é elementar a relação de um mestre com seu discípulo, pois aquele cuida deste como um amigo e não como um subalterno, a relação existente entre ambos retoma ao sentido real do aprendizado, qual seja, o de fortalecer além do conhecimento empírico, também os laços emocionais que o cercam e dar a este bases sólidas em que se apoiar.

Sim, afirmo que existem muitos com a alcunha de mestre, alguns destes possuem conhecimento suficiente para sustentá-la. Em menor número existem os que além do conhecimento, possuem a experiência e em número ainda mais reduzido, os que além do conhecimento e da experiência, já adquiriram a sabedoria da qual um mestre é investido. Mas de todos estes números, os que em menor parcela existem são os que dignamente merecem o título augusto de mestre. Pois além do conhecimento, da experiência e da sabedoria conseguiram conquistar também algo que a poucos é possível, volto a dizer, a humildade. A humildade de se sentar novamente no banco e não em condição de mestre, mas de aluno, aprender sempre, pois quem ensina é um mestre e quem aprende, um discípulo.

Sair à procura de um mestre, tutor ou professor pode ser tão fatigante quanto frustrante. Além de não conhecer o que se vai encontrar, possivelmente no final iremos aprender que tudo que estávamos procurando podia ser facilmente encontrado em um local onde a abundância de conhecimento é evidente. Em nosso eu interior, nossa quinta essência, nossa alma.

Neste pequeno artigo, pretendi chegar a dois pontos básicos. O primeiro é a concordância no que Horus Episkopos afirma em dizer de onde encontrar um verdadeiro mestre. O segundo é que existem pessoas que conseguiram atingir o primeiro ponto, e essas pessoas, pela vida que levaram se tornaram eternos discípulos, mestres na realidade, e que muito afortunados são os que encontram pessoas como essas.

Sem dúvidas, a busca pessoal nos leva a conhecer muitas pessoas e destas pegar um pouco, deixar outro tanto, para que na diversidade de conhecimentos e pessoas nossa busca seja fundamentada e possamos, quem sabe, conseguir chegar a "nossa verdade".

O mestrado não é adquirido senão através de experiências e assim sendo, o compartilhar sempre é importante para todos nós. Todo mundo tem algo a ensinar e a aprender, e quando alguma dúvida restar em seu íntimo, tenha certeza de uma coisa: todos são mestres.

Feliz Jornada.

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