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Autoria: Morgan le Fay

As ondas molhavam as tenras marcas da areia, gaivotas em suas brancuras corriam nas espumas marítimas.

O sol, em seu poente, gritava as palavras alaranjadas de um findar tardio.

Com os pés despidos e cabelos contra o vento, dançando em sintonia com as marés, caminhava a mulher, feiticeira dos mares.

Sentia em sua essência as quebrantes ondas que da água se tornavam belas e formosas.

A praia se marcava com os sorrisos da bruxa litorânea, os rochedos honravam aos Deuses e velavam pela criatura fêmea dos mares.

O frio salgado do oceano tocava seus pés, a areia suave e macia circulava em suas mãos, seu espírito voava nas brisas contornando o horizonte de emoções e sensações.

As pegadas da feiticeira contavam a história de encarnações e magias, a história da coragem de mulheres.

Seu vestido tinha as bordas úmidas e seus longos cabelos moviam-se em harmonia com as aves, ao céu.

Feliz, destemida, segura, amorosa, a bruxa dirige-se ao mar, passo após passo, sorrindo.

O banho de bênçãos no infinito Atlântico da Deusa, o corpo da filha afundava na transparência das águas e de seu próprio espírito.

Flutuava, com os olhos cerrados, confiando no natural fluxo da Grande Mãe.

Sentia os peixes, os ventos, as espumas, as ondas, as baleias, os barcos, as algas, o oceano.

Os sons das gaivotas, do quebrar das ondas e das espumas perpetuavam o momento sagrado inundando de palavras compreensíveis àqueles que as sentem.

Abrindo os olhos, a feiticeira via as nuvens peregrinas cursando para o infinito.

Levanta-se de seu leito aquático e retorna para as margens terrenas. Sua visão fixa o poente, o sol partira, sacrificado para o início do infindável ciclo.

Com um ligeiro olhar por detrás de seu ombro direito, a bruxa ri o agradecimento pelas dádivas de sua Mãe-Terra.

Seus pés ganham vida em uma eterna corrida de renascimento, dançando e exprimindo a felicidade de ser mulher.

Aonde os rochedos se curvam e as areias da praia juntam-se ao mar, corre a bruxa, guerreira das vidas, senhora do mar, fêmea dos oceanos.

E com um de seus saltos espirais, a feiticeira desaparece de vista, sua presença sempre é sentida nas brisas que percorrem os mares das vidas.

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