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Autoria: Morgan le Fay

As longas jornadas, em um denso vale obscuro, me guiavam para o preciso obstáculo de minhas caminhadas.

Seguindo o chamado da Deusa, curvava-me para desvencilhar as pequenas fendas dos mágicos caminhos da escuridão.

Os pensamentos pairavam entre minhas entranhas assim como o frio assombrava o revestimento de meu ser.

Lembranças de vidas passadas inundavam minha memória, imersa em profundas reflexões sobre os desejos da Grande Mãe Serpente.

Dançando os ritos sagrados em meus pés desnudos, traçava as tranças divinas no solo de escamas antigas.

Minha voz ressoava em ecos aos mundos, melodias gritavam de meu corpo, transmutando em energias sonoras, as abençoadas vibrações pagãs.

A fogueira iluminava a profunda noite, a Rainha Naja dançava a fertilidade e seu espírito serpenteava a sensualidade de germinar a Terra.

As brasas estalavam o brilhar dourado de uma nova jornada de viver.

Escrituras cravadas no chão proliferavam as filhas da Deusa, sementes plantadas na genital da Grande Mãe Terra.

Os pandeiros conduziam os chocalhos em um frenesi sagrado; os ventres veneravam a colheita em espirais e intenções de reverências aos Imortais.

O rubro coloria as vestes e os presentes, em um círculo rastejante ao solo virginal.

As dengosas serpentes enroscavam-se nos braços sacerdotais em eternas circulares, contemplando a imunidade dos venenosos e as seivas da Grande Mãe Natureza.

Ao redor da celebração da fecundação escamosa, reuniam as mais veneradas ervas em caldeirões ferventes e em poções ardentes.

A terra era cultivada, os pedidos recebidos, as oferendas realizadas e a Sagrada Serpente reverenciada em sua espiral; que não parava de girar e girar nas diversas encarnações de seu ventre de fertilidade eterna.

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