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Autoria: Morgan le Fay

No pulsar do coração da Grande Mãe, ouve-se as ofegantes batidas de uma vida angustiante. Sinto no cheiro de cada planta o verdadeiro odor da dor e do sofrimento.

Minha Mãe, minha Mestra, minha Criadora, minha Deusa.... sofre!

Sua paz se foi quando, um dia, deu a luz à humanidade.

Suada e cansada, respira o ar que à tanto poluíram com falsas palavras e com as fumaças dos automóveis.

Faminta de amor e de lealdade, seu fluir pelos mares torna-se rancoroso e rabugento.

Carência por seus filhos; muitas vezes ingratos pela maternal acolhida de nossa Madre Luna.

Muitas mágoas ressentidas e guardadas, à fazem reagir com respostas por vezes desconfortáveis. Mostrando seu lado negro diante da desobediência dos frutos de seu caldeirão. E não menos devemos compreendê-la, perante a colheita daquilo que plantamos.

Várias foram as estações em que corria desesperada aos másculos braços do Cornudo, à procura de conforto às suas tristezas.

Em noites silenciosas, pode-se ouvir seu sussuro choramingado em um longo e sentimental uivo de loba.

As crisálidas das bruxas tendem mais à se romper para poderem ouvir o que a Deusa nos tem à dizer.

Já sem entender; ela, a Criadora, percorre as quatro torres em busca de ajuda para salvar seus filhos e salvar à si mesma.

Os dias e as noites se passam como a correnteza dos riachos.

No entanto, seu martírio indesejado fica!

Indago à humanidade:

- Que fizemos à nossa amada Mãe, para que ela sofresse o arder da brasa na pele?

Talvez não houvesse resposta, talvez essa pergunta se perdesse em respostas diversas.

E assim, as borboletas suspiram ao vento:

- Quão longo é o tempo que a nossa Deusa irá suportar tamanho sofrimento de vossos amados filhos?

Essa é uma cicatriz que jamais se apagará da Mestra das mestras, durante todas as encarnações e espirais seguintes...

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