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Autoria: Morgan le Fay

Subi as montanhas para alcançar o ápice do fôlego em meus pulmões.

Já não vejo mais o rosto do Senhor da Luz, que a muito havia se escondido por detrás de uma colina ultrapassada.

Cansado de um frustrante caminhar, me sento abaixo de uma árvore amarelada pela vida. As formigas já não trabalhavam mais para suas fábricas subterrâneas, sinal de que a noite não tarda a chegar.

Com um galho recém-caído da pálida árvore, rabisco sinais sagrados na terra, para poder germinar em meu espírito uma palavra de consolo para tamanho cansaço.

As folhas secas me ocultavam o solo como sendo velhas sábias me dizendo para ser cauteloso com minhas impaciências.

Traços e traçados, rabiscos e pontilhados. A Terra me respondida como se fôssemos um só. Via algo, profundo e mágico refletido nos grãos de areia e pedaços de folhas. Uma dança cósmica feita de fertilidade abençoada. Havia uma voz em doce tom me dirigindo as atitudes com um belo som de animais noturnos:

- O linho da natureza tinha sido desfiado entre concentradas intenções mal direcionadas.

O cheiro de flores aquáticas impregna o ar montanhoso como sendo um forte incêncio de fumaças perfumadas.

A Senhora da Noite anuncia sua chegada com fadas tornadas vaga-lumes dançantes ao meio do comprido capim da montanha.

Seguida de suas amas estrelares, nasce a Rainha da Noite, magestosa, bela, guerreira, Lua.

Sua luz reflete o seu poder sobre aqueles que a pertencem.

Defendida por anéis reluzentes que a circundam, Ela, o centro de tudo, dirige a mim sua maternal face:

- O linho da natureza tem sido desfiado entre concentrações erradas das energias do Universo. Filho, uni-vos junto aos teus irmãos para que a concentração do linho seja recuperada e meu trabalho de fiandeira da vida volte a seguir em paz na Arte. A união dos meus filhos... é a sustância de meu ser dentre as gerações futuras. Reuna-os e juntem-se... em perfeita confiança e perfeito amor.

O frio noturno, que os montes sopravam, começara a me arrepiar o corpo trêmulo. As portas nebulosas da Terra de Verão ocultaram a Deusa com nuvens andarilhas em forma de algodão.

A Dama da Lua cantava melodias de ninar para os filhos adormecidos na escuridão. Sua voz é tão graciosa que os portões do universo não exitam em deixar escapá-la aos ouvidos sagrados de suas crias infinitas.

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